domingo, 1 de setembro de 2019

Paraense se dispõe a doar cabelos a garota que perdeu couro cabeludo


Cercada por uma rede de solidariedade desde que sofreu um acidente e uma pista de kart que provocou a perda de todo o couro cabeludo da pele da testa e de parte das pálpebras, a auxiliar de ensino recifense Débora Esthefany Dantas de Oliveira, de 19 anos, fez nascer um sonho em alguém que mora a milhares de quilômetros de distância. Dona de um cabelo enorme, a pedagoga paraense Daiara dos Santos, de 23 anos, ficou extremamente tocada com a história da garota, que atualmente enfrenta um longo tratamento em São Paulo, e agora tem como meta doar parte dos fios para Débora.
Apegada à vasta cabeleira cultivada há pelo menos cinco anos, Daiara está disposta a cortá-la na altura dos ombros e entregá-los para a confecção de uma peruca, já que Débora não terá mais fios naturais. A intenção, postada em seus perfis nas redes sociais, já foi apresentada ao noivo da auxiliar de ensino, Eduardo Tumajan. “Todos os dias acompanho a evolução de Débora e compartilho nas minhas redes sociais. Decidir fazer essa proposta de doação porque desde o primeiro instante do acidente ela demonstrou ser uma jovem forte, decidida a vencer o obstáculos da vida”, explica ela.
Segundo Eduardo, a proposta já foi apresentada a Débora, que ficou animada com a notícia. “Ela ficou feliz de saber que as pessoas estão nos procurando pra doar cabelo, se importando com a situação dela”, relatou ele. De acordo com o empresário, a primeira cirurgia para enxerto de tecidos pela qual Débora passou foi muito invasiva. “Foi um procedimento muito delicado. Foi retirado tecido das costas e das pernas e eles só conseguiram cobrir metade da área aberta. Eles ainda vão marcar outra grande cirurgia para colocar mais pele na área”, detalha.
Ele se disse muito grato pela atitude de Daiara, mas explicou que a noiva só deve ser liberada para usar perucas em um prazo de um ano, já que o tratamento é extremamente complexo. “Agradeci muito por ela estar se importando com agente, pela solidariedade, mesmo sem nos conhecer”.
Para Daiara, de 23 anos, Débora é um exemplo de superação. Foto: Cortesia

Daiara soube do acidente pela imprensa e imediatamente se identificou com a vítima. “Fui procurar mais informação sobre o acidente e o quadro de saúde de Débora. Ao ver que se tratava de um escalpelamento, me emocionei muito, pois sei o quando um cabelo é importante para uma mulher”, relata ela, tocada com a situação da garota. A decisão vem repercutindo entre amigos e seguidores e ganhou até a torcida da família da pedagoga.
A vontade de oferecer os próprio cabelos a Débora veio, explica Daiara, menos por compaixão e mais pelo reconhecimento da força da pernambucana. “Queria abraçá-la e dizer que ela é um grande exemplo de superação”. E se depender da pedagoga, esse encontro vai acontecer em breve. “Sou uma jovem que tem sonhos. Um desses sonhos agora é conhecer Débora. Coloquei isso como prioridade”. Certa de que o plano vai dar certo, a pedagoga se emociona: “Seria uma experiência única, um sonho realizado, iria chorar muito”, projeta.
Cabelos e couro cabeludo da vítima foram puxados pelo motor de kart
Procedimento realizado em Débora por equipes de cirurgiões plásticos conseguiu reimplantar 80% do couro cabeludo arrancado no acidente. Foto: Cortesia

Débora, que também tinha cabelos muito longos, sofreu o escalpelamento no dia 11 de agosto, quando os fios se enroscaram no motor do kart guiado por ela e foram puxados e arrancados, levando junto boa parte da pele da cabeça. De acordo com o cirurgião plástico Jonathan Vidal, responsável pela primeira cirurgia à qual ela foi submetida no Hospital da Restauração, no Recife, o procedimento, delicadíssimo, durou cerca de cinco horas. “Na região da testa, a ruptura foi na área abaixo das sobrancelhas. As pálpebras superiores também foram danificadas.
Dias depois, porém, a vítima sofreu complicações e a área reimplantada perdeu a irrigação sanguínea, o que obrigou a retirada do tecido. Por conta da evolução do quadro, a rede Walmart, responsável pelo estabelecimento em cujas dependências ocorreu o acidente, assumiu os custos do tratamento e transferiu Débora para o Hospital Especializado, em Ribeirão Preto, São Paulo, que tem expertise na condução de casos semelhantes.
Tratamento de Débora deve durar dois anos

Internada em São Paulo, Débora está sendo acompanhada pelo noivo, o empresário Eduardo Tumajan, que estava com ela no momento do acidente. Foto: Cortesia


Desde do dia 18 de agosto, quando foi realizada a transferência, a auxiliar de ensino segue em tratamento intensivo. Como ela perdeu o reimplante, foi necessário submetê-la a uma nova cirurgia para o enxerto de pele retirada das costas. O procedimento durou cerca de 9 horas. Várias novas cirurgias devem ser realizadas enquanto ela permanecer no hospital e ainda não há previsão de alta.
Ao longo do tempo, Débora deve precisar se submeter a uma série de procedimentos para minimizar as cicatrizes e melhorar o aspecto estético da área atingida.O tratamento completo, de acordo com os médicos, deve durar cerca de dois anos. Mesmo assim, não há expectativa de que a pernambucana volte a ter cabelos naturais, o que deve obriga-la a usar próteses.
Como há suspeitas de que houve negligência com relação às normas de segurança exigidas em circuitos de kart, a empresa responsável pela pista, a Adrenalina Kart, está sendo investigada pela polícia pernambucana. O kartódromo instalado por ela em um supermercado no bairro de Boa Viagem, onde ocorreu o acidente, não tinha licença de funcionamento.
OP9



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Oleh

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